Microsoft: o gigante silencioso por trás da sua tela

13

Sejamos honestos. Se você definir a Microsoft apenas pelo código que ela vende, você está perdendo o foco. Não é apenas um fornecedor de software. É um império. Um monólito. O tipo de empresa cujos produtos estão funcionando dentro de quase todos os computadores que você toca e, sem dúvida, ainda subindo em direção ao auge de sua influência global.

É uma relação de amor e ódio que todos nós temos. Você pode murmurar sobre o “império do mal” quando a tela azul da morte aparecer ou quando você for forçado a comprar outra atualização de assinatura. Mas elimine a frustração e você descobrirá a verdade: ninguém capacita a TI como a Microsoft. Bill Gates não apenas construiu um negócio; ele construiu o sistema operacional para a era da informação. A partir daquele primeiro IBM PC em 1981, recheado de MS-DOS, a Microsoft definiu como interagimos com as máquinas.

Então, qual é o problema? Por que isso importa? E como ficou tão grande?

Como a Microsoft domina o cenário tecnológico

Precisamos conversar sobre como isso aconteceu. Não foi sorte. Foi uma mistura de astúcia, inovação e determinação teimosa. A Microsoft não apenas aproveitou a onda da revolução dos computadores pessoais; ele dirigiu o navio.

O modelo de negócios que mudou tudo

Pense em sua última compra. Se você comprou um PC, provavelmente pagou à Microsoft pelo Windows. Se você trabalha em um escritório, está usando o Office. Se você estiver desenvolvendo software, provavelmente estará usando o Visual Studio. Isso não é uma coincidência. É uma estratégia.

A Microsoft dominou a arte da onipresença. Eles garantiram que seu software fosse o padrão. Não porque sempre foi o melhor, mas porque estava em toda parte. E na tecnologia, todos os lugares ganham.

Cultura corporativa: por que funciona

Não é possível compreender a Microsoft sem compreender a sua cultura. É uma máquina. Uma máquina bem lubrificada, às vezes implacável, sempre eficaz. A cultura recompensa a ambição. Pune a complacência. Isso não é uma coisa ruim. Em um mercado tão acirrado como o de software, é necessário.

“A Microsoft definiu como usamos os computadores desde o lançamento do primeiro IBM PC em 1981.”

Isso não é apenas conversa de marketing. É história. A empresa evoluiu de uma startup de produto único para uma gigante tecnológica diversificada. E ainda está crescendo.

O que a Microsoft realmente faz

Então, o que a Microsoft faz?

  • Sistemas operacionais: Windows. A espinha dorsal da computação pessoal.
  • Software de produtividade: Office. Palavra, Excel, PowerPoint. As ferramentas do local de trabalho moderno.
  • Computação em nuvem: Azure. O mecanismo que alimenta milhões de aplicativos e sites.
  • Hardware: Superfície. Laptops e tablets que competem com a Apple e outros.
  • Jogos: Xbox. Um jogador importante na guerra dos consoles.

Cada uma dessas divisões alimenta as outras. O Windows impulsiona a demanda pelo Office. O Office impulsiona a demanda pelo Azure. O Azure impulsiona a demanda por jogos baseados em nuvem. É um ecossistema. Um ciclo de receita e relevância que se auto-reforça.

Por que isso é importante para você

Você pode não pensar nisso, mas a Microsoft afeta sua vida diária. Ao inicializar seu computador, você está interagindo com a Microsoft. Ao enviar um e-mail, provavelmente você está usando o Outlook. Ao pesquisar na web, você está usando o Bing (mesmo que não saiba). Quando

A aposta de US$ 50 mil que construiu um império

O mito da Microsoft começa numa garagem, tal como o da Apple. Mas enquanto Jobs e Wozniak ligavam placas de circuito, Gates e Allen jogavam um jogo diferente. Eles não construíram o hardware. Eles não se importaram com a caixa. Eles se importavam com o código dentro dele.

Essa distinção era importante.

A maioria dos primeiros pioneiros da computação eram hobbyistas. Eles frequentavam grupos como o Home Brew Computer Club, tratando a computação como um clube social ou um movimento de protesto dos anos 1960. Portões e Allen? Eles eram empresários de terno. Eles não viram um mercado; eles viram um campo de batalha. A regra era simples: se outra pessoa tivesse um produto de que você precisava, você comprava ou esmagava.

Sua primeira grande morte foi o DOS, o sistema operacional de disco. Mas o caminho para essa vitória foi complicado.

A IBM estava construindo seu primeiro computador pessoal. Eles precisavam de um sistema operacional. Eles ligaram para a Microsoft, presumindo que Gates tivesse um pronto para entregar. Ele não fez isso. A Microsoft escreveu linguagens, não sistemas operacionais completos. Gates indicou à IBM o CPM da Digital Research, o padrão da indústria na época.

Então as coisas correram para o lado.

Os processos corporativos da IBM entraram em conflito com a vibração contracultural da Digital Research. As negociações fracassaram. O negócio estava quase morto. O IBM PC não seria um sucesso.

A Microsoft interveio.

Gates e Steve Ballmer viram uma abertura. Eles compraram um sistema operacional chamado QDOS por US$ 50 mil. Eles o limparam, o chamaram de MS-DOS e o venderam para a IBM por US$ 80 mil.

Em 1980, US$ 80 mil parecia muito. No grande esquema da tecnologia, eram alguns trocados.

Por que Gates aceitou um pagamento tão pequeno? Ele estava pensando décadas à frente. Durante um documentário da PBS chamado Triumph of the Nerds, Gates revelou a armadilha que havia preparado. O contrato permitiu que a Microsoft licenciasse o software para outras empresas. A IBM possuía o hardware, mas a Microsoft detinha os direitos do sistema operacional para todos os demais.

Foi um golpe de mestre.

Gates sabia que a entrada da IBM legitimaria os computadores pessoais. Isso criaria um mercado de massa. E nesse mercado, a compatibilidade era rei. Qualquer empresa que fizesse um clone do IBM PC precisava de um sistema operacional que funcionasse exatamente como o da IBM. Isso significava pagar à Microsoft.

A Microsoft se tornou a cabine de pedágio.

Os fabricantes de PC não poderiam competir sem o DOS. Eles não tiveram escolha. Gates transformou o software num monopólio ao controlar o padrão, não a máquina.

Funcionou.

A partir daí, a Microsoft não participou apenas do mercado. Dominou. A empresa aperfeiçoou um ciclo: controlar a plataforma, espremer os concorrentes e repetir. Quando o DOS atingiu o seu limite, a Microsoft não parou. Ele girou para a Interface Gráfica do Usuário (GUI), iniciando o Windows.

A mudança das linhas de comando para telas controladas pelo mouse completou a armadilha. A IBM ficou para trás, um fabricante de hardware no mundo do software.

A seguir, veremos como o Windows emergiu dessa mudança e por que a parceria com a IBM finalmente foi destruída.

Uma oportunidade de GUI

O Macintosh chegou em 1984 e mudou tudo. Não era apenas um computador; foi o primeiro PC de sucesso comercial com uma interface gráfica de usuário. Você poderia apontar, clicar e navegar sem memorizar as linhas de comando. Essa mudança não apenas tornou os computadores mais amigáveis. Isso aterrorizou Bill Gates.

Ele via o Mac como uma ameaça dupla. Primeiro, provou que a computação pessoal poderia explodir além dos nichos de mercado que a IBM havia conquistado com o DOS. Em segundo lugar, mostrou que o sistema operacional era o verdadeiro prêmio. Se os usuários adorassem a interface, não se importariam com o hardware subjacente. A franquia da Microsoft ficou subitamente vulnerável.

A Traição O/S/2

A Microsoft e a IBM têm trabalhado juntas no OS/2, um sucessor do DOS. O plano era simples: a IBM controlaria o hardware e a Microsoft forneceria o software. Eles precisavam de algo que os concorrentes da IBM não pudessem clonar.

Tudo desmoronou rapidamente.

Gates estava tentando aproveitar o domínio da IBM para construir a própria plataforma da Microsoft. A IBM queria bloquear o mercado. A parceria azedou quando seus objetivos divergiram completamente. A Microsoft ficou sozinha.

Em vez de recuar, Gates dobrou a aposta. Ele construiu uma GUI para DOS. Esta decisão foi genial estratégica. O Windows não imitou apenas o Mac. Ele permitiu que mil clones do IBM PC se tornassem semelhantes ao Mac por uma fração do custo. O impacto no mundo dos negócios foi sísmico. Uma máquina enfadonha e obsoleta agora pode parecer moderna e intuitiva. A Microsoft redefiniu o mercado da noite para o dia.

A Internet e a guerra dos navegadores

No momento em que o Windows 95 estava sendo lançado, surgiu uma nova ameaça. A Netscape tornou-se pública. A internet não era mais uma curiosidade. Era uma rede global aberta. Os criadores eram altruístas, muitas vezes distribuindo seu código gratuitamente.

Como uma empresa baseada em taxas de licenciamento sobrevive em um ecossistema aberto?

A resposta da Microsoft foi a força bruta. Eles incluíram o Internet Explorer no Windows. As resultantes “guerras de navegadores” foram brutalmente unilaterais. A Netscape não conseguia competir com o poder de distribuição da base instalada da Microsoft. Explorador venceu. A ameaça foi neutralizada.

Mas o domínio não se trata apenas da colocação de produtos. É uma questão de capital.

O fosso do dinheiro

Veja o relatório anual de 2005 da Microsoft. O item de linha “Caixa e Investimentos de Curto Prazo” mostra quase US$ 38 bilhões. A maioria das empresas dominantes acumula dinheiro para proteger o seu território. Eles ficam na defensiva. A Microsoft faz o oposto.

O dinheiro permite uma adaptação instantânea.

Quando a IBM era um gigante, a Microsoft superou-a. Quando a Netscape era uma startup ágil, a Microsoft a sobrecarregou com recursos infinitos. Esta liquidez cria um fosso defensivo que os concorrentes não conseguem atravessar. Construir software é diferente de construir aviões ou arranha-céus. Você não precisa de fábricas. Você precisa de ideias e inteligência. Com US$ 38 bilhões no banco, a Microsoft pode se dar ao luxo de experimentar, adquirir e sobreviver a qualquer um que fique sem pista.

Contratação para o Caos

O dinheiro é metade da batalha. A outra metade é organização. Gates nunca consolidou totalmente a Microsoft numa estrutura corporativa rígida. Em vez disso, ele replicou a energia caótica dos primeiros dias.

As equipes são projetadas para ter falta de pessoal. Os gerentes calculam os recursos necessários para um projeto e depois os cortam. O resultado? As equipes devem lutar. Eles devem improvisar. Se você esperar pelas condições perfeitas, você perde.

O processo de contratação reflete isso. A Microsoft procura solucionadores de problemas de alta energia. Os candidatos costumam responder enigmas. Não porque os enigmas predizem a capacidade de codificação, mas porque revelam como alguém pensa sob pressão. Você pode resolver um problema com informações incompletas? Você consegue trabalhar 72 horas seguidas se o projeto exigir?

Isso cria uma cultura de resolução intensa e de alto risco de problemas. É exaustivo. Mas funciona.

Quando os impérios envelhecem

Todas as organizações atrofiam. A memória muscular desaparece. Os fundadores carismáticos vão embora. A questão é se a Microsoft irá contrariar a tendência. Gates ainda é o centro visionário. Enquanto ele permanecer engajado, o reinado da empresa provavelmente se estenderá por anos.

Mas o que acontece depois que o código é escrito? O que acontece depois que os lucros aumentam?

Gates e sua esposa Melinda fundaram a Fundação Bill e Melinda Gates em 2000. A missão é totalmente diferente do lado empresarial. Eles promovem a equidade na saúde global, na educação e nas bibliotecas públicas. Eles apoiam famílias em risco em Washington e Oregon.

Recentemente, Gates prometeu 258 milhões de dólares para combater a malária nos países em desenvolvimento.

A mesma lógica que levou a Microsoft a dominar o ambiente de trabalho agora impulsiona a base para dominar a saúde global. É capital aplicado com precisão.

O que vem a seguir?

Os segmentos de produtos da Microsoft continuam a evoluir. Mas o motor subjacente permanece o mesmo: dinheiro, talento e uma relutância em deixar que alguém dite os termos do próximo grande sucesso.

O trabalho da fundação sugere uma mudança. Ou talvez, apenas uma expansão.

Teremos que esperar para ver.

A Microsoft não vende mais apenas software. Vende ecossistemas.

A empresa divide seu enorme império em “unidades de negócios” distintas. Estes não são apenas jargões internos. São os principais segmentos de produtos que os investidores acompanham de perto. A lista inclui Cliente, Servidor e Ferramentas, Information Worker, Microsoft Business Solutions, MSN, Dispositivos Móveis e Incorporados e Casa e Entretenimento.

Cada segmento atende a uma fatia específica do mercado global.

A base do cliente e do servidor

O segmento Cliente é onde a maioria dos usuários conhece a Microsoft pela primeira vez. Abrange o sistema operacional Windows. Isto não é apenas código. É uma plataforma que integra aplicativos, serviços e hardware. O objetivo? Facilite a tecnologia. Torne-o confiante.

Depois, há Servidor e Ferramentas. Este lado cria o Windows Server. Ele mantém o backbone da empresa funcionando. Sem isso, a infraestrutura em nuvem da qual muitas empresas dependem provavelmente se romperia.

O segmento Trabalhador da Informação cuida do conjunto de produtividade. Ele capacita as pessoas a transformar dados em impacto. Pense no Outlook. Pense em troca. Estas são as ferramentas que mantêm a vida no escritório em movimento.

Soluções empresariais e alcance móvel

Microsoft Business Solutions atende às necessidades financeiras e operacionais das empresas. Ele gerencia relacionamentos com clientes e cadeias de suprimentos. Ela atende pequenas empresas tanto quanto atende divisões empresariais globais.

Dispositivos móveis e incorporados ampliam a vantagem do Windows. Este segmento desenvolve produtos para telefones habilitados para voz e gerenciadores de informações pessoais. O objetivo é melhorar a vida profissional e pessoal por meio da conectividade.

“O MSN é responsável por fornecer serviços on-line que buscam capacitar os usuários, aproximando-os das pessoas e das informações que são mais importantes para eles.”

A anomalia do Xbox

O segmento Casa e Entretenimento é complexo. Ele lida com o sistema de videogame Xbox. Isso inclui hardware, jogos de terceiros e operações do Xbox Live. Também lidera a Divisão de Produtos para o Lar.

Curiosamente, este segmento lida com vendas no varejo do Microsoft Office. Recebe uma comissão intersegmentada por isso. Também vende jogos para Windows e PC. Implanta a plataforma de TV da Microsoft para a indústria de televisão interativa.

É uma sobreposição confusa. Mas funciona.

A vantagem do Windows

A Microsoft está longe de seus dias de DOS. O Windows continua sendo seu maior vendedor. Parte das soluções de negócios MS.

O Windows dá à Microsoft uma vantagem em quase todos os outros segmentos. Há uma exceção. Xbox.

Os videogames operam com sua própria lógica. Mesmo no nível corporativo, eles têm ideias próprias. O resto do império depende da onipresença do Windows.

Como o Windows está presente na maioria dos PCs, a Microsoft controla o canal de distribuição. Quando lança um novo produto, não precisa gritar. Ele pode atualizar um sistema existente. Pode colocar anúncios no Internet Explorer. Os usuários veem isso antes de verem os concorrentes.

A sombra antitruste

Esse domínio já foi ilegal aos olhos da lei.

Antigamente, as táticas da Microsoft pareciam um comportamento anticompetitivo. Em 2000, um tribunal federal ordenou a dissolução da Microsoft. Refletiu o destino da Standard Oil e da “Ma Bell”.

O objetivo era nivelar o campo de jogo. A competição tornou-se desesperada. Os rivais sentiram-se sufocados pela integração do Windows e de outros produtos.

O julgamento de 2000 não durou. Um tribunal de apelações anulou a decisão.

A esperança de que o poder federal pudesse impedir a Microsoft ruiu junto com a decisão. O mercado mudou. O monopólio tornou-se um ecossistema.

Por que essa estrutura é importante hoje

A compreensão desses segmentos explica as tendências tecnológicas atuais.

Quando você vê um novo recurso no Windows, ele geralmente está vinculado ao Servidor e Ferramentas. Quando o software da sua empresa é atualizado, isso vem do Information Worker ou Business Solutions.

A separação não é apenas administrativa. É estratégico.

Cada segmento tem como alvo uma intenção de usuário diferente. Alguns querem jogar. Alguns querem administrar as finanças. Alguns querem navegar na web.

A Microsoft captura todos eles.

O segmento Xbox prova que mesmo dentro de uma gigante do software, hardware e entretenimento podem divergir. Mas a principal vantagem permanece. O sistema operacional.

Ele fica no centro.

Ele conecta o cliente ao servidor. Ele conecta a empresa ao consumidor. Ele conecta o usuário à rede.

A repartição do relatório anual é mais do que uma lista. É um mapa de controle.

Com quantos desses segmentos você interage diariamente?

Provavelmente todos eles.

Você simplesmente não vê as costuras.

A decisão do tribunal de apelação mudou o cenário jurídico. Isso não mudou a realidade do mercado.

A Microsoft adaptou-se.

Não acabou.

Ele integrou.

O resultado é uma plataforma que parece perfeita para o usuário. Mesmo que a contabilidade interna seja complexa.

Atualizações futuras provavelmente confundirão os limites entre dispositivos móveis e clientes. Entre o trabalhador da informação e o servidor.

Os limites são artificiais.

O domínio é real.

Importa de onde vem o código?

Talvez não.

A experiência do usuário é o que conta.

E a Microsoft vence aí.

De novo.