Nos Estados Unidos, se você quiser enviar uma mensagem de texto para alguém, basta abrir o aplicativo de mensagens padrão. Está embutido no telefone. Chamamos isso de SMS, ou Serviço de Mensagens Curtas. É o padrão.
Não é o padrão em nenhum outro lugar.
A maior parte do mundo usa aplicativos de terceiros. A força dominante é o WhatsApp. Desde 2009, tem sido a ferramenta de comunicação preferida em lugares como Espanha, África do Sul, Brasil e Índia. As taxas de penetração são surpreendentes. Nestes países, 50 a 90 por cento dos utilizadores móveis dependem dele.
Compare isso com os EUA. Apenas 12% dos usuários móveis americanos baixaram o WhatsApp.
Por que a disparidade? Tudo se resume a estruturas de operadoras, ecossistemas de dispositivos e à pura utilidade das mensagens over-the-top (OTT).
A economia das mensagens de texto
Nos EUA, as operadoras costumam agrupar textos ilimitados em taxas mensais fixas. Você não paga por mensagem. A necessidade de uma alternativa barata é silenciosa. Os iPhones também são mais prevalentes aqui. O iMessage cuida do trabalho pesado dos usuários do iOS, criando um jardim murado que mantém as pessoas no ecossistema da Apple.
Em outros lugares, a economia é diferente. Na Europa e em muitas outras regiões, as operadoras cobram por mensagem. Esses custos aumentam rapidamente. Os aplicativos de mensagens ignoram totalmente as taxas da operadora.
O WhatsApp oferece mensagens gratuitas e ilimitadas. Não mostra anúncios. Você não precisa de uma conta de mídia social para se inscrever. Ele usa seu número de telefone como seu ID. Depois de instalá-lo, seus contatos existentes se tornarão seus contatos do WhatsApp. Nenhuma caça ao nome de usuário. Sem etapas extras.
Essa simplicidade impulsiona a adoção. Remove o atrito.
Liberdade entre plataformas
O WhatsApp é um aplicativo independente. Não está vinculado a um sistema operacional específico como o iMessage da Apple ou o RCS do Google. Isso é importante.
Usuários com dispositivos de sistemas operacionais diferentes podem enviar mensagens entre si usando dados móveis ou WiFi. Se você estiver em um país com sinal de celular fraco, ainda poderá se comunicar via WiFi. Reduz os custos do serviço móvel. Permite a comunicação internacional sem custos internacionais.
“Aplicativos de mensagens OTT que não estão vinculados a um sistema operacional… permitem que usuários de smartphones com sistemas operacionais diferentes enviem mensagens entre si usando dados móveis ou WiFi”, diz Jasmine Enberg, analista principal da eMarketer.
Existem riscos. Bate-papos por vídeo e transferências de arquivos grandes consomem dados. Se você usar o sinal do celular em vez do WiFi, sua conta poderá aumentar. Mas para comunicação geral de texto, voz e baixa largura de banda, é eficiente.
Além do texto simples
SMS tem limites. A contagem de caracteres é importante. Você não pode enviar vídeo. Você não pode fazer chamadas internacionais gratuitamente.
O WhatsApp e seus rivais quebram essas barreiras. Não há limites de caracteres. Você pode enviar clipes de voz, arquivos de áudio, vídeos e documentos. As chamadas internacionais de voz e vídeo são gratuitas. Se o seu serviço de celular for cortado por falta de pagamento, você ainda poderá alcançar pessoas próximas a um ponto de acesso WiFi.
A segurança é outro fator. O WhatsApp usa criptografia de ponta a ponta. Suas mensagens são confidenciais. As mensagens SMS típicas não são criptografadas. Os especialistas elogiam esse compromisso com a privacidade. As agências governamentais discordam, argumentando que facilita a comunicação criminosa sem supervisão.
O cenário da competição
O WhatsApp não está sozinho. O WeChat domina na China, com mais de um bilhão de usuários. O Viber é forte na Europa Oriental. O Facebook Messenger é o favorito na América do Norte.
Esses aplicativos não são brincadeira de criança. Alguns especialistas prevêem que ultrapassarão os gigantes tradicionais das redes sociais, como o Facebook e o Twitter, como principal meio de comunicação.
O Facebook comprou o WhatsApp em 2014 por US$ 19 bilhões. A enorme base de usuários tornou-o um alvo irresistível. Mas a propriedade traz escrutínio. Os usuários focados na privacidade estão preocupados com o controle do Facebook. Isso alimentou o surgimento de alternativas como Telegram e Threema.
O WhatsApp também lançou uma versão empresarial com taxas de assinatura. Isto irá expandir a sua presença. Mas a tensão entre conveniência e privacidade continua por resolver.
O hack da marca de seleção azul
O WhatsApp inclui um recurso de confirmação de leitura. Duas marcas de seleção azuis indicam que o destinatário viu sua mensagem. Os usuários podem desativar isso para privacidade.
Existe uma solução alternativa. Envie uma breve nota de voz. Mesmo um segundo funciona. Se o destinatário ouvir, você verá as marcas azuis. A configuração de confirmação de leitura ignora a reprodução de áudio.
É um pequeno hack. Revela o quanto nos preocupamos com a confirmação na comunicação digital.
Para onde vamos a partir daqui?
O domínio do WhatsApp é claro. Dois bilhões de usuários em 180 países. Mas a paisagem está mudando. Novas preocupações de segurança. Novos concorrentes. Mudança de modelos de operadora nos EUA
O WhatsApp manterá a liderança? A expansão dos negócios sugere que sim. A reação contra a privacidade sugere que não. A verdade provavelmente está em algum lugar no meio. Continuamos usando porque funciona. Continuamos procurando alternativas porque estamos inquietos.
A conversa continua.





























