O machado está caindo. De novo.
O Xbox acabou de demitir 1.600 pessoas na manhã de segunda-feira. Asha Sharma, o novo CEO da divisão, retirou o memorando. Mais cortes estão chegando. Em junho de 2027, a contagem poderá chegar a 3.200. Faz parte da mudança mais ampla da Microsoft, que reduziu 2,1% de toda a sua força de trabalho global – cerca de 4.800 empregos eliminados no total. Mas o Xbox sofre os maiores hematomas.
Por que? Sharma diz que o negócio “não é saudável”. Os custos estão sangrando o orçamento. A base de jogadores? Estagnado. O Game Pass, aquela chave de assinatura brilhante destinada a prender os usuários, não cresceu rápido o suficiente. Então aqui está o plano: queimar tudo. Recomeçar.
Vendendo as crianças
Não é apenas o desaparecimento do número de funcionários. Os estúdios estão sendo jogados fora como bagagem indesejada.
Jogos de compulsão, Double Fine, Nina Theory e Undead Labs? Tudo à venda. Ou já vendido para gestão externa. Todas foram aquisições dos últimos oito anos, compradas quando a Microsoft tinha dinheiro infinito e desejo por propriedade intelectual. Estúdios Arkane na França? Provavelmente o próximo no quarteirão.
Sharma chama isso de reinicialização. Os analistas chamam isso de pânico.
Jason Schreier, da Bloomberg, explicou como as coisas chegaram até aqui em um vídeo que parece menos um estudo de caso de negócios e mais uma tragédia. Ele argumenta que isso não é um acidente. É o resultado da mudança de prioridades durante uma década consecutiva. A Microsoft tentou ser tudo: hardware, software, serviços, grandes editores. E ficou inchado.
Depois veio a aquisição da Activision Blizzard. US$ 68,7 bilhões. O negócio de videogame mais caro da história. Desde outubro de 2023? Nada além de cancelamentos e demissões. O crescimento parou. O dinheiro acabou. Ou pelo menos, a tolerância para isso aconteceu.
“Ninguém está seguro. Não importa o quanto você contribua… nada importa mais do que cortar até não sobrar nada.”
-Mike Futter
Uma plataforma em declínio
Vejamos os números. O Xbox dominou os EUA nos dias do Xbox 360. Eles eram reis. Depois veio a geração atual.
A PlayStation possui metade do mercado global. O Switch da Nintendo leva outros 27%. O Xbox fica com insignificantes 23%.
É uma queda humilhante do número um para o segundo colocado. E agora, com esta reestruturação, estão a cavar ainda mais fundo o buraco. Os analistas da indústria Amanda Farough e Mike Futter acham que isso é auto-sabotagem. Eles veem uma mensagem no meio do barulho: Não compre o Xbox.
Por quê? Porque vender seu principal talento criativo torna você um jogador mais fraco. Ou pior, faz com que a Microsoft pareça estar preparando a própria empresa para ser comprada. De qualquer forma, o conjunto de talentos evapora. 8.300 empregos em jogos foram perdidos até agora este ano. Já o dobro do total de 2024.
Os desenvolvedores estão aterrorizados. Os criativos estão com raiva. Jogadores? Eles estão confusos.
A confiança está quebrada
Os tópicos do Reddit estão brilhando. Os fãs zombam do ciclo “comprar e enterrar”. Eles chamam isso de hipocrisia corporativa. Alguns chamam isso de “círculo da vida” da indústria de tecnologia. Você compra o estúdio por prestígio, espera cinco anos, percebe que ele não rende bilhões no primeiro dia, então você o corta.
Max Shockley, um revisor com 250 mil assinantes, diz que o navio partiu. Ele argumenta que os jogos já estão apresentando bugs. Cortar pessoal não irá polir o produto. Isso simplesmente vai quebrar.
Sua previsão para o console de próxima geração, codinome Project Helix? Pode não acontecer. Ou outra pessoa pode construí-lo para eles. “O Xbox tentou voar com asas feitas de gelo”, diz Shockley. “E eles derreteram antes de chegar ao topo.”
David Lumb, da CNET, fala sem rodeios. É “macabeloso”. Você não pode pedir um bilhão de jogadores ativos diariamente e ao mesmo tempo desmantelar as próprias pessoas que fazem entretenimento para esses jogadores.
O que sobrou
Então, o que acontece a seguir?
Sharma afirma que todos os jogos anunciados publicamente são seguros. Você ainda receberá State of Decay 3. O próximo projeto da Ninja Theory é garantido pelos novos proprietários. As grandes editoras como Bethesda e Blizzard permanecem intactas. Por agora.
Mas a confiança se foi. Os estúdios estão sendo vendidos peça por peça. A cultura está destruída.
O Xbox ainda não morreu. Mas parece muito com uma cidade fantasma.
